11/12/08

ESSA DOEU!


Era uma puta dor dente, como sempre havia prolongado o máximo minha ida ao dentista- argh! Tremo só de pronunciar, mas acabei marcando a consulta e para lá me dirigindo. A dor mega desconfortável teimava e ardia em meu dente, e ainda havia na linda sala de esperta dois paciente na minha frente - achei o arquiteto ou decorador genial fez um trabalho bacana com as cores da sala; trazia paz e calma aos desesperados como eu. Finalmente fui chamado, Dra. Ana era seu nome, pequenina, toda delicada parecia uma menininha, envolta em máscara, bata e touca, tinha os olhos simpáticos que pareciam sorrir para mim o tempo todo. - Deite-se, qual o dente, inferior ou superior? - Superior. - Abra bem a boca! Huumm... caiu toda a obturação, melhor radiografar! - É, teremos que fazer canal. - Putz ! Pensei... Depois da extração de um ciso é a pior coisa pra se fazer no dentista, canal! - canal é o canal. Anestesia e mais anestesia e o barulho neurante e apavorante da broca ziiimm! Mas extraordináriamente não senti quase nenhuma dor, apenas um puta desconforto, pois ela, consversava na maior tranquilidade comigo, e, eu sem poder responder e ela muito menos se importando com isso. Marcou para outros dois dias o término do canal e ao nos despedimos; segurou um tempo a mais na minha mão. Achei aquilo estranho mas gostoso, excitante, não tinha como ser interpretado de outro jeito. Ela me deu uma deixa, um mole como dizem. No outro dia, cheguei mais animado sem dor, bem mais arrumado, conversamos um pouco ( 28 anos, recentemente separada do marido, tinha uma filha de cinco anos e pela primeira vez não vi o menor problema nisso) antes de iniciar a tortura no dente.
Outra vez, não senti quase nehuma dor e novamente ela desatou a conversar comigo sem esperar pelo meu "feed back" , foi angustiante, ao final, novamente demorou um tempo a mais para lagar minha mão, então, tirou a máscara, a touca- arrumando os cabelos e tirando a bata; finalmente pude mira-lá por inteiro, tinha um beleza candida e exalava um sorrizo frágil mas o tom de voz era de alguém forte e decidida, princilpalmente ao me responder: - Na sexta eu te respondo se aceito ou não o seu convite pra jantar. Quase não consegui dormir, acordei super cedo (até porque entrou um ladrão em casa e levou o dvd e minha velha mãe ainda abriu a porta da frente pra ele sair numa boa, só faltou convidar pro café matinal), oito haras em ponto estava na floricultura, achei que um buquê de rosas seria clichê demais, então comprei uma caixa feita a mão, mandei fazer um arranjo com uma única rosa vermelha e fechei a caixa com um laço de fita rosa com um cartão dentro que dizia: " Enquanto você decide, se vai jantar comigo sexta a noite, por que não almoçamos juntos hoje? E escrevi meu número de celular no cantinho do bilhete. Paguei pra um boy levar. Algumas horas depois o celular toca, eufórico vi que era ela, sua voz inconfundível dizia: - Liguei para agradecer pela flor, muito delicado de sua parte e fazia tempo que não recebia algo assim - Bingo, pensei... Ganhei um almoço e jantar. Finalmente uma namorada!
- Mas tenho que te dizer que não vou poder aceitar seus convites para sair, pois ontem a noite reatei com meu marido e amanhã começa meu curso e quero remarcar com você pra te atender no sábado ás 10:00hs ok?! - OK ... Tudo bem, tá marcado... E... Ah!... Fico feliz por você... Até mais , respondi sem graça e derrotado.
Enfim, pra completar, o curativo no dente caiu durante o almoço e o dente ta doendo pra caramba, mas tem algo que tá doento muito mais que o dente, só não sei se é o coração - qua há tempos anda sozinho ou se o orgulho, mas que essa doeu, ah doeu!


Ouvia ao escrever o barulho do ar condicionado da lan hause.

12/05/08

ELA

Era meticulosa ao extremo. Havia preparado tudo com o maior esmero e atenção; afinal essa noite seria especial. Marcaria o fim de um ciclo e o começo de outro. Sentia-se finalmente preparada e segura - ele era a pessoa certa para ela. Depois de uma longa procura por entre vários tipos - e que tipos! Fernando era o mais perfeito, o mais romântico e atencioso homem que cruzara seu caminho. A simples lembrança do sorriso infante e do olhar terno que ele tinha a deixava aos píncaros de alegria e desejo, ela o queria desesperadamente. O quarto iluminado somente por inúmeras velas aromáticas, a cama impecavelmente arrumada e salpicada de pétalas de rosas, incenso de jasmim queimando e erotizando o clima delicadamente composto. Camisinha, gel pousados no criado mudo, o som ambiente tocando uma coleção de músicas românticas. Champanhe e uma generosa porção de morangos esperavam sua deixa ao pé da cama. Dim dom - É ele pensou eufórica. Correu para o espelho olhou-se pela enésima vez, estava linda, tinha consciência de sua beleza e do desejo que seu corpo fornido e perfeito desencadeava nos homens. Quantos ao longo de seus 25 anos tentaram, mas jamais conseguiram. Seria de Fernando, ele era o eleito para transformar-lhe finalmente em mulher. - Pode entrar Fernando, falou em tom mais alto para que ele a ouvisse. A porta abriu e Fernando carregando um buquê de flores e uma garrafa de vinho, simplesmente, embasbacou. Ela estava sentada de pernas cruzadas, usando apenas um salto alto e uma gravata rubra da cor do batom que manchava o filtro do charuto cubano que segurava entre os dedos da mão esquerda. Os cabelos lisos presos com um objeto em forma de dragão num rabo de cavalo pousavam por sobre o ombro e seio direito ressaltando ainda mais aquela pele branca e macia. Ela se levantou com se estivesse em "slow motion" olhando-o lasciva e provocadoramente. Fernando sentiu-se submerso na imensidão azul dos olhos dela. Ao tentar pronunciar algo ela imediatamente o calou com um beijo sôfrego, que tirou-lhe o fôlego. As flores e vinho caíram ao chão e sem descolar os lábios ela o conduziu para o quarto. Mãos ávidas percorriam e exploravam os corpos desnudos. Fernando urrou de prazer quando sentiu o calor daquela boca rubra em seu membro intumescido de excitação. Após provocar e tomar a seiva do primeiro gozo dela posicionou-se a olhou nos olhos e a penetrou, era quente, macio e estreito. Ela suspirou profundamente e agarrando-o pelos glúteos, o trazia em frenesi e mais fortemente para dentro de si. Ela gozou outra vez, não imaginava nem em seus pensamentos mais erotizados o quanto era delicioso o prazer do gozo. Fernando segurando o rabo de cavalo a possuiu e a domou como uma potranca, novamente ela gozou. Ambos enlouquecidos e insaciáveis. - Vou cavalgá-lo! Susurrou-lhe ao ouvido. Imediatamente Fernando deitou-se de peito pra cima. Ela ainda de salto e gravata se ajoelhou de pernas abertas em cima de Fernando e com um movimento de quadril encaixou-se a ele. Começou a cavalgá-lo num ritmo alucinante e cadenciado. Fernando gemia enlouquecido dizendo que ela era maravilhosa, e anunciou que ia gozar. Ele ergue-se ficando sentado e ela por cima ainda movimentando-se como uma perfeita amazona. Fernando num suspiro e num urro profundo começou a gozar abundantemente, abraçando-a com uma força delicada, a fitou nos olhos e disse: - Poderia morrer agora, que morreria feliz! Ela sorriu concordando e o beijou. Fernando enquanto recebia o beijo cálido sentiu algo, tentou falar, todavia não conseguiu. Rebeca se levantou dele e da cama, se serviu de champanhe, vestiu o hobby de seda chinesa, mordeu um morango, sentou-se ao lado dele afagou-lhe os cabelos e retirou da junção da nuca com a cabeça o dragão de haste pontiaguda ali encravada. Fernando olhava para o vazio meio que sorrindo envolto numa poça de sangue que embebia o fino e caro lençol. O celular toca: - Sim mamãe estou bem, já disse que estou ótima! Ela vai ao banheiro abre o armário. As caixas de Lítio e Prosac repousam a meses intocadas.

Ouvia ao escrever Sereníssima by Legião Urbana.

17/08/07

FOSTE

Ela era a mais bonita, e elegante.
A mais legal, a mais popular.
Super estudiosa, melhor dançarina.
Ela era uma amiga espetacular.
A mais bem humorada e antenada.
Definitivamente a mais “coll”!
Ela era a mais sexy, entusiasta e desprendida.
Tão doce, solícita e prestativa.
Ela era a melhor filha, melhor irmã, melhor namorada.
Espirituosa, tão autêntica e espontânea.
Ela era tão destemida e confiante. Era tão forte.
Morreu de olhos abertos para vida que desperdiçou.
Ela era várias coisas de fato. Aliás, como todos que conheci.
E como muitos. Só não era mais forte do que EU. {clique

Ouvia ao escrever L’Aventura (Legião Urbana omnia vincit)

08/08/07

Não existem homossexuais

Acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada.
NÃO CONHEÇO homossexuais. Nem um para mostrar. Amigos meus dizem que existem. Outros dizem que são. Eu coço a cabeça e investigo: dois olhos, duas mãos, duas pernas. Um ser humano como outro qualquer. Mas eles recusam pertencer ao único gênero que interessa, o humano. E falam do "homossexual" como algumas crianças falam de fadas ou duendes. Mas os homossexuais existem?A desconfiança deve ser atribuída a um insuspeito na matéria. Falo de Gore Vidal, que roubou o conceito a outro, Tennessee Williams: "homossexual" é adjetivo, não substantivo. Concordo, subscrevo. Não existe o "homossexual". Existem atos homossexuais. E atos heterossexuais. Eu próprio, confesso, sou culpado de praticar os segundos (menos do que gostaria, é certo). E parte da humanidade pratica os primeiros. Mas acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada. É elevar o sexo a condição identitária. Sou como ser humano o que faço na minha cama. Aberrante, não?Uns anos atrás, aliás, comprei brigas feias na imprensa portuguesa por afirmar o óbvio: ter orgulho da sexualidade é como ter orgulho da cor da pele. Ilógico. Se a orientação sexual é um fato tão natural como a pigmentação dermatológica, não há nada de que ter orgulho. Podemos sentir orgulho da carreira que fomos construindo: do livro que escrevemos, da música que compusemos. O orgulho pressupõe mérito. E o mérito pressupõe escolha. Na sexualidade, não há escolha.Infelizmente, o mundo não concorda. Os homossexuais existem e, mais, existe uma forma de vida gay com sua literatura, sua arte. Seu cinema. O Festival de Veneza, por exemplo, pretende instituir um Leão Queer para o melhor filme gay em concurso. Não é caso único. Berlim já tem um prêmio semelhante há duas décadas. É o Teddy Award.Estranho. Olhando para a história da arte ocidental, é possível divisar obras que versaram sobre o amor entre pessoas do mesmo sexo. A arte greco-latina surge dominada por essa pulsão homoerótica. Mas só um analfabeto fala em "arte grega gay" ou "arte romana gay". E desconfio que o imperador Adriano se sentiria abismado se as estátuas de Antínoo, que mandou espalhar por Roma, fossem classificadas como exemplares de "estatuária gay". A arte não tem gênero. Tem talento ou falta de.E, já agora, tem bom senso ou falta de. Definir uma obra de arte pela orientação sexual dos personagens retratados não é apenas um caso de filistinismo cultural. É encerrar um quadro, um livro ou um filme no gueto ideológico das patrulhas. Exatamente como acontece com as próprias patrulhas, que transformam um fato natural em programa de exclusão. De auto-exclusão. Eu, se fosse "homossexual", sentiria certa ofensa se reduzissem a minha personalidade à inclinação (simbólica) do meu pênis. Mas eu prometo perguntar a um "homossexual" verdadeiro o que ele pensa sobre o assunto, caso eu consiga encontrar um no planeta Terra.

by JOÃO PEREIRA COUTINHO ouvia ao escrever. I will survive (Gloria Gainor)

Ainda sobre o tema, apresento-lhes um péssimo, desastroso e inaceitável exemplo de magistrado. Se membros do poder judiciário pensam e pior decidem desse jeito, temos muito pelo que temer nesse país. Clique aqui para ler a sentença que torna o preconceito justo no Brasil.
By Nielsen Sobrinho Amaral OAB 781-AP

03/08/07

Ele e a Lua (Amor na Fazenda)


Foi amor à primeira vista. Ela era linda, acomodada com seus pais na carroceria do caminhão, chegando à fazenda, já no finzinho da tarde. Parecia assustada, bem branquinha como a neve, bem diferente das outras que conhecia. Desceu do caminhão e olhou admirada, meio que de um só fôlego, a grandiosidade da fazenda. Ele percebeu que ela mirava o campo e o pasto, imenso e vasto cheio de frondosas árvores apinhadas de incontáveis ninhos de japins. Ela é romântica e presa liberdade pensou, pois, só se dirigiu ao seu novo lar quando o Osvaldo - o capataz, a tirou do transe, seguindo-o com seus pais para área dos fundos da casa grande.
Ela tinha um misto de quietude e timidez que o excitava, e pela primeira vez estava apaixonado. Não era como as outras que descaradamente abanavam o "rabo" para mais uma trepada assim que colocavam os olhos no sinhozinho. Não... aquela era diferente... pura, intocada nada sabia da vida ou do amor de um jovem, todavia, homem no mais viril que tal palavra pode exprimir.
Como quem não quer nada perguntou ao capataz o nome de seu afeto.
- É Lua patrãozinho.
- Lua? Diferente mas apropriado. É branca e serena como Lua Osvaldo.
- Bonita de danar não acha patrãozinho?
Ele apenas gesticulou com a cabeça engolindo um bom bocado de saliva.
- É uma potranca linda. Zezão vai se fartar nessas carnes, e melhor de tudo... É virgem sinhozinho... Um pitel!
- Éh! Tem cara mesmo de ser virgem, mas pro Zezão, logo ele? Aquele garanhão miserável pensou.
- Coisa do Coronel sinhô seu pai, assim determinou quando mandou trazer toda a família.
- É bem o estilo dele mesmo, acostumado a comprar tudo e todos, mandando e desmandando na vida de tudo que o cerca!
- Mas ele é o patrão sinhozinho ele manda mesmo em tudo.
- Manda em você que é empregado, em mim não!
Saiu deixando a conversa com Osvaldo pelo meio.
Ao escurecer, após o jantar, saiu da casa grande olhando para os lados com cautela para ver se ninguém estava por perto. E pois-se a procurá-la.
O destino estava a seu favor, Lua estava sozinha e destraída dentro do curral, olhando os numerosos cavalos puro sangue. Não percebeu a chegada dele.
Era a visão mais linda que ele já havia visto, seu amor ali, tranqüilo e quieto no meio dos cavalos. Chegou por trás, suando frio, afagou-lhe a cabeça gentilmente, ela o fitou inespressiva.
Que traseiro que ancas maravilhosas ela tinha; fortes proeminentes, empinadas. Era realmente uma potranca como falou Osvaldo e de crina de um branco alourado longa e vistosa. Sentiu-se um bruto por pensar em seu amor daquele jeito rude, porém, o tesão falou mais alto, normalmente seria romântico mas aquela docilidade e pureza que ela irradiava do olhar o enlouquecia de tal forma, que a pegou a força.
Ela assustou-se mas não protestou. Com suas másculas mãos grandes e ávidas explorou-lhe todo o corpo, apertando-a contra seu membro túrgido, doloridamente entumecido, tocou-lhe nas partes pudentas e percebeu que era suculentamente grande e carnuda. Ensandecido e ofegante, abaixou as calças tão apressadamente que a fivela do sinto rompeu-se, e segurando-a por trás e pelo quadril penetrou-a de uma vez só, sem pena, isento piedade. Ela por sua vez apenas estremeceu e nem um gemido ou mínimo som se quer emitiu. Sim, era virgem, sentiu o romper e o abrir daquela inexplorada fenda macia e quente, agora era sua fêmea e foda-se o Zezão pensou, ela é minha só minha, quem é o garanhão aqui sou eu .
De repente ouve a voz irada do pai atrás de si.
- Filho da puta, desgraçado você é um tarado, de novo nessa sacanagem? Quantas mais você vai desgraçar seu miserável? Já pra dentro de casa seu puto! Diacho de vida sô, tanta rapariga-moça na fazenda e tu, miserável, comendo as minhas éguas quarto de milha!
Ele saiu correndo com as calças pelo meio das pernas em direção a casa grande, e o pai, atrás, de cinta na mão, trovejando os piores impropérios.


Ouvia ao escrever Comes Love by Joni Mitchell

02/08/07

ExtrA Extra NÃO PERCAM


O QUE A GENTE NÃO FAZ ... POR UMA LOIRA GOSTOSA E CASADA (hmmm delícia, minha preferência!), ops QUIS DIZER PELA CULTURA MEU POVO , PELA CULTURA! Arraza Kiara!

12/07/07

CAUSA MORTIS

“Te amo sem saber como nem quando, nem onde
Te amo diretamente sem problemas ou orgulho:
Assim te amo porque não sei te amar de outra maneira,
Senão assim, deste modo, em que não sou nem és
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha
Tão perto que se fecham seus olhos com meu sonho”
- O bilhete terminava desse jeito?
- Sim!
- Parece não ter sentido dor!
- É ele parece sereno.
- Acho que está sorrindo certo?
- Não me parece um sorriso, os olhos estão distantes... Melancolizados creio eu.
- Pra mim está com cara de saudade, daquela bem doída.
- Tá com saudade nada, ta é sereno mesmo.
- A causa mortis você arrisca?
- Rapaz bonito, jovem... atores, sabe como são... Dramáticos, super intensos, só pode ter sido overdose.
- Do jeito que ele aparenta só pode ter sido de amor!
- Amor! Você enlouqueceu? Estamos em pleno século 21, ninguém morre de amor!
- Você que é ridículo, desde que o mundo é mundo sempre tem alguém que morre de amor!
- Que nada o único que morreu por amor foi Jesus Cristo o resto não. Tem sempre um outro motivo.
- Eu disse: morreu de amor e não por amor!
- E lá tem diferença isso?
- Claro que sim, quem morre de amor morreu tendo o amor como à causa da morte e quem morreu por amor, tem a causa mortis qualquer que seja.
- Ih rapaz agora complicou tudo, vamos deixar para o legista resolver.

Algum tempo depois. Na sala de necropsia do IML.

- Então doutor foi overdose?
- Foi!
- Eu não te falei que era droga!
- Não tem nada haver com droga, disse o legista.
- Então como o senhor pode atestar uma overdose?
- É simples! Ele teve uma produção excessiva de adrenalina natural, ou seja, uma dosagem letal, que o levou a óbito. Overdose!
- Como legista, acho que ele viveu alguma grande emoção, para justificar excessiva produção desse composto químico tipo: saltar de pára-quedas, bang jump, asa delta essas coisas que jovens malucos fazem. Como o encontraram?
- Ah! Doutor, eu até fotografei, olha aqui ó.
- Vocês o encontraram assim? Perguntou aos policiais.
- É sim senhor, e tinha mais esse bilhete aqui no chão ao lado do corpo.
O médico leu atentamente, sorrindo, inspirou fundo ao reconhecer a parte final do Soneto XVII de Pablo Neruda.
Dirigiu-se a escrivaninha de mogno, sentou-se a frente do computador passou a preencher o laudo imprimindo-o em seguida.
E pela primeira vez em 25 anos de profissão desejou ser o paciente, sentindo-se feliz ao assinar a certidão óbito.
Causa mortis: AMOR.

Ouvia ao escrever How can you mend my broken heart (Al Green)