17/08/2007

FOSTE

Ela era a mais bonita, e elegante.
A mais legal, a mais popular.
Super estudiosa, melhor dançarina.
Ela era uma amiga espetacular.
A mais bem humorada e antenada.
Definitivamente a mais “coll”!
Ela era a mais sexy, entusiasta e desprendida.
Tão doce, solícita e prestativa.
Ela era a melhor filha, melhor irmã, melhor namorada.
Espirituosa, tão autêntica e espontânea.
Ela era tão destemida e confiante. Era tão forte.
Morreu de olhos abertos para vida que desperdiçou.
Ela era várias coisas de fato. Aliás, como todos que conheci.
E como muitos. Só não era mais forte do que EU. {clique

Ouvia ao escrever L’Aventura (Legião Urbana omnia vincit)

08/08/2007

Não existem homossexuais

Acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada.
NÃO CONHEÇO homossexuais. Nem um para mostrar. Amigos meus dizem que existem. Outros dizem que são. Eu coço a cabeça e investigo: dois olhos, duas mãos, duas pernas. Um ser humano como outro qualquer. Mas eles recusam pertencer ao único gênero que interessa, o humano. E falam do "homossexual" como algumas crianças falam de fadas ou duendes. Mas os homossexuais existem?A desconfiança deve ser atribuída a um insuspeito na matéria. Falo de Gore Vidal, que roubou o conceito a outro, Tennessee Williams: "homossexual" é adjetivo, não substantivo. Concordo, subscrevo. Não existe o "homossexual". Existem atos homossexuais. E atos heterossexuais. Eu próprio, confesso, sou culpado de praticar os segundos (menos do que gostaria, é certo). E parte da humanidade pratica os primeiros. Mas acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada. É elevar o sexo a condição identitária. Sou como ser humano o que faço na minha cama. Aberrante, não?Uns anos atrás, aliás, comprei brigas feias na imprensa portuguesa por afirmar o óbvio: ter orgulho da sexualidade é como ter orgulho da cor da pele. Ilógico. Se a orientação sexual é um fato tão natural como a pigmentação dermatológica, não há nada de que ter orgulho. Podemos sentir orgulho da carreira que fomos construindo: do livro que escrevemos, da música que compusemos. O orgulho pressupõe mérito. E o mérito pressupõe escolha. Na sexualidade, não há escolha.Infelizmente, o mundo não concorda. Os homossexuais existem e, mais, existe uma forma de vida gay com sua literatura, sua arte. Seu cinema. O Festival de Veneza, por exemplo, pretende instituir um Leão Queer para o melhor filme gay em concurso. Não é caso único. Berlim já tem um prêmio semelhante há duas décadas. É o Teddy Award.Estranho. Olhando para a história da arte ocidental, é possível divisar obras que versaram sobre o amor entre pessoas do mesmo sexo. A arte greco-latina surge dominada por essa pulsão homoerótica. Mas só um analfabeto fala em "arte grega gay" ou "arte romana gay". E desconfio que o imperador Adriano se sentiria abismado se as estátuas de Antínoo, que mandou espalhar por Roma, fossem classificadas como exemplares de "estatuária gay". A arte não tem gênero. Tem talento ou falta de.E, já agora, tem bom senso ou falta de. Definir uma obra de arte pela orientação sexual dos personagens retratados não é apenas um caso de filistinismo cultural. É encerrar um quadro, um livro ou um filme no gueto ideológico das patrulhas. Exatamente como acontece com as próprias patrulhas, que transformam um fato natural em programa de exclusão. De auto-exclusão. Eu, se fosse "homossexual", sentiria certa ofensa se reduzissem a minha personalidade à inclinação (simbólica) do meu pênis. Mas eu prometo perguntar a um "homossexual" verdadeiro o que ele pensa sobre o assunto, caso eu consiga encontrar um no planeta Terra.

by JOÃO PEREIRA COUTINHO ouvia ao escrever. I will survive (Gloria Gainor)

Ainda sobre o tema, apresento-lhes um péssimo, desastroso e inaceitável exemplo de magistrado. Se membros do poder judiciário pensam e pior decidem desse jeito, temos muito pelo que temer nesse país. Clique aqui para ler a sentença que torna o preconceito justo no Brasil.
By Nielsen Sobrinho Amaral OAB 781-AP

03/08/2007

Ele e a Lua (Amor na Fazenda)


Foi amor à primeira vista. Ela era linda, acomodada com seus pais na carroceria do caminhão, chegando à fazenda, já no finzinho da tarde. Parecia assustada, bem branquinha como a neve, bem diferente das outras que conhecia. Desceu do caminhão e olhou admirada, meio que de um só fôlego, a grandiosidade da fazenda. Ele percebeu que ela mirava o campo e o pasto, imenso e vasto cheio de frondosas árvores apinhadas de incontáveis ninhos de japins. Ela é romântica e presa liberdade pensou, pois, só se dirigiu ao seu novo lar quando o Osvaldo - o capataz, a tirou do transe, seguindo-o com seus pais para área dos fundos da casa grande.
Ela tinha um misto de quietude e timidez que o excitava, e pela primeira vez estava apaixonado. Não era como as outras que descaradamente abanavam o "rabo" para mais uma trepada assim que colocavam os olhos no sinhozinho. Não... aquela era diferente... pura, intocada nada sabia da vida ou do amor de um jovem, todavia, homem no mais viril que tal palavra pode exprimir.
Como quem não quer nada perguntou ao capataz o nome de seu afeto.
- É Lua patrãozinho.
- Lua? Diferente mas apropriado. É branca e serena como Lua Osvaldo.
- Bonita de danar não acha patrãozinho?
Ele apenas gesticulou com a cabeça engolindo um bom bocado de saliva.
- É uma potranca linda. Zezão vai se fartar nessas carnes, e melhor de tudo... É virgem sinhozinho... Um pitel!
- Éh! Tem cara mesmo de ser virgem, mas pro Zezão, logo ele? Aquele garanhão miserável pensou.
- Coisa do Coronel sinhô seu pai, assim determinou quando mandou trazer toda a família.
- É bem o estilo dele mesmo, acostumado a comprar tudo e todos, mandando e desmandando na vida de tudo que o cerca!
- Mas ele é o patrão sinhozinho ele manda mesmo em tudo.
- Manda em você que é empregado, em mim não!
Saiu deixando a conversa com Osvaldo pelo meio.
Ao escurecer, após o jantar, saiu da casa grande olhando para os lados com cautela para ver se ninguém estava por perto. E pois-se a procurá-la.
O destino estava a seu favor, Lua estava sozinha e destraída dentro do curral, olhando os numerosos cavalos puro sangue. Não percebeu a chegada dele.
Era a visão mais linda que ele já havia visto, seu amor ali, tranqüilo e quieto no meio dos cavalos. Chegou por trás, suando frio, afagou-lhe a cabeça gentilmente, ela o fitou inespressiva.
Que traseiro que ancas maravilhosas ela tinha; fortes proeminentes, empinadas. Era realmente uma potranca como falou Osvaldo e de crina de um branco alourado longa e vistosa. Sentiu-se um bruto por pensar em seu amor daquele jeito rude, porém, o tesão falou mais alto, normalmente seria romântico mas aquela docilidade e pureza que ela irradiava do olhar o enlouquecia de tal forma, que a pegou a força.
Ela assustou-se mas não protestou. Com suas másculas mãos grandes e ávidas explorou-lhe todo o corpo, apertando-a contra seu membro túrgido, doloridamente entumecido, tocou-lhe nas partes pudentas e percebeu que era suculentamente grande e carnuda. Ensandecido e ofegante, abaixou as calças tão apressadamente que a fivela do sinto rompeu-se, e segurando-a por trás e pelo quadril penetrou-a de uma vez só, sem pena, isento piedade. Ela por sua vez apenas estremeceu e nem um gemido ou mínimo som se quer emitiu. Sim, era virgem, sentiu o romper e o abrir daquela inexplorada fenda macia e quente, agora era sua fêmea e foda-se o Zezão pensou, ela é minha só minha, quem é o garanhão aqui sou eu .
De repente ouve a voz irada do pai atrás de si.
- Filho da puta, desgraçado você é um tarado, de novo nessa sacanagem? Quantas mais você vai desgraçar seu miserável? Já pra dentro de casa seu puto! Diacho de vida sô, tanta rapariga-moça na fazenda e tu, miserável, comendo as minhas éguas quarto de milha!
Ele saiu correndo com as calças pelo meio das pernas em direção a casa grande, e o pai, atrás, de cinta na mão, trovejando os piores impropérios.


Ouvia ao escrever Comes Love by Joni Mitchell

02/08/2007

ExtrA Extra NÃO PERCAM


O QUE A GENTE NÃO FAZ ... POR UMA LOIRA GOSTOSA E CASADA (hmmm delícia, minha preferência!), ops QUIS DIZER PELA CULTURA MEU POVO , PELA CULTURA! Arraza Kiara!

12/07/2007

CAUSA MORTIS

“Te amo sem saber como nem quando, nem onde
Te amo diretamente sem problemas ou orgulho:
Assim te amo porque não sei te amar de outra maneira,
Senão assim, deste modo, em que não sou nem és
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha
Tão perto que se fecham seus olhos com meu sonho”
- O bilhete terminava desse jeito?
- Sim!
- Parece não ter sentido dor!
- É ele parece sereno.
- Acho que está sorrindo certo?
- Não me parece um sorriso, os olhos estão distantes... Melancolizados creio eu.
- Pra mim está com cara de saudade, daquela bem doída.
- Tá com saudade nada, ta é sereno mesmo.
- A causa mortis você arrisca?
- Rapaz bonito, jovem... atores, sabe como são... Dramáticos, super intensos, só pode ter sido overdose.
- Do jeito que ele aparenta só pode ter sido de amor!
- Amor! Você enlouqueceu? Estamos em pleno século 21, ninguém morre de amor!
- Você que é ridículo, desde que o mundo é mundo sempre tem alguém que morre de amor!
- Que nada o único que morreu por amor foi Jesus Cristo o resto não. Tem sempre um outro motivo.
- Eu disse: morreu de amor e não por amor!
- E lá tem diferença isso?
- Claro que sim, quem morre de amor morreu tendo o amor como à causa da morte e quem morreu por amor, tem a causa mortis qualquer que seja.
- Ih rapaz agora complicou tudo, vamos deixar para o legista resolver.

Algum tempo depois. Na sala de necropsia do IML.

- Então doutor foi overdose?
- Foi!
- Eu não te falei que era droga!
- Não tem nada haver com droga, disse o legista.
- Então como o senhor pode atestar uma overdose?
- É simples! Ele teve uma produção excessiva de adrenalina natural, ou seja, uma dosagem letal, que o levou a óbito. Overdose!
- Como legista, acho que ele viveu alguma grande emoção, para justificar excessiva produção desse composto químico tipo: saltar de pára-quedas, bang jump, asa delta essas coisas que jovens malucos fazem. Como o encontraram?
- Ah! Doutor, eu até fotografei, olha aqui ó.
- Vocês o encontraram assim? Perguntou aos policiais.
- É sim senhor, e tinha mais esse bilhete aqui no chão ao lado do corpo.
O médico leu atentamente, sorrindo, inspirou fundo ao reconhecer a parte final do Soneto XVII de Pablo Neruda.
Dirigiu-se a escrivaninha de mogno, sentou-se a frente do computador passou a preencher o laudo imprimindo-o em seguida.
E pela primeira vez em 25 anos de profissão desejou ser o paciente, sentindo-se feliz ao assinar a certidão óbito.
Causa mortis: AMOR.

Ouvia ao escrever How can you mend my broken heart (Al Green)

05/07/2007

Sem saída.

Foi presa mais uma vez.
Pega com drogas e alcoolizada, acompanhada de estranhos novos melhores amigos da vez, de uma noite, de uma curtição não curtida – foram apanhados na saída da boca. Ela sentia vergonha, medo, dava pra ver no fundo de seus olhos pedantes, mascarados com a expressão “foda-se”. O resto de dignidade foi-se ao aceitar ser currada pelo delegado e os agentes em troca da liberdade própria e dos demais, acordou dolorida, apenas de calcinha, suja de esperma e cerveja num terreno baldio.
Acabou com tudo muito antes desse episódio, já havia perdido o emprego, o filho, suspeitava que estivesse com aquela doença que todos temem, na verdade tinha quase certeza, por isso, nunca foi fazer o teste. Simplesmente parou de se importar - pelo menos queria acreditar assim, tentou se espiritualizar, mas como poderia acreditar em algo ou em alguém, se não acreditava mais nem em si mesma.
Estava sem saída, cansada, pensou em suicídio, todavia, o medo da idéia do inferno ainda era forte em sua mente new agnóstica; praguejou sua mãe por lhe enfiar durante anos a religião goela abaixo e agora que estava além do fundo do poço não tinha mais outra opção a não ser se reerguer e reconstruir a vida. Porém sentindo-se mal, porque até em ser uma completa loser, fracassou.
- A vida é injusta! Sim a vida é uma filha da puta muito injusta mesmo. Pensou.


Ouvindo ao escrever meus próprios fantasmas.

18/06/2007

Cabaço


*Para sacar melhor a estória, leia primeiro os textos na ordem a seguir: A Foda Sem Ziper* de Maria Helena (Subversivo café by Luíza) e Voz (Pequenas Sentenças by Fausto)

Saia curta, blusa decotada, salto alto e bem maquiada, dançando sensualmente e tomando todas.
- Uau que mulher gostosa! Você estava certo Fausto, bem melhor do que ter ficado em casa lamentando essa dor miserável. Nossa que par de peitos, dava pra fazer uma espanhola muito doida com esses melões.
- É isso aí Rafael, depois de tudo o que te aconteceu hoje cedo, você tinha que relaxar um pouco.
-Putz, nem me lembre Fausto. O cara mexeu pacas no local, só depois se lembrou de anestesiar. Vi estrelas com aquele aprendiz de assogueiro filho da puta.
- Cara olha lá, olha lá, a vadia tá tomando todas! Logo logo ficará tão doida que não vai nem notar este meu curativo tosco.
- Tu é muito cabaço mesmo. Pra ela não sacar isso aí, vai ter de estar de coma alcoólico. Essa merda ficou maior que a cruz da bandeira da Cruz Vermelha, Fausto riu debochadamente.
- Maldito Hospital, tinham que mandar um puto de um estagiário, praguejou Rafael.
- Também ô mané, quem mandou ir num hospital-escola?
- Ora caralho! E tu achas que cago dinheiro, pelo menos lá, era grátis.
- Sequelado, pão duro, isso é o que você é!
A música do local não era lá essas coca-cola, contudo, dava pro gasto. Amigos, vagabundos, gorozeiros e inseparáveis a não ser quando Rafael tava a fim de enfiar o nariz onde não se deve, aliás, esse era o maior problema dele. Não era entrão ou coisa parecida, apenas curioso ao extremo.
Na verdade um vacilão, muito gente fina, mas um cabaço. “A curiosidade matou o gato” definitivamente não era seu ditado preferido, como ele mesmo dizia: - Gato não, estou mais pra Pitbull.
- Ei cara, ela está indo pro banheiro, olha ali.
- Nossa, ela está chapada mesmo. É minha chance de dar uma boa trepada.
- Cê tá louco Rafa, como é que tu vais traçar a gata?
- Fausto do jeito que ela tá bebassa vai ser moleza.
- Rapaz, fica aqui, vai acabar arranjando pra cara.
- Que nada véio, tranquilo, deixa comigo.
- Olha lá, aquele não é o Licurgo indo atrás dela?
- É ele mesmo Fausto.
- Fudeu então pra ti, o cara é o maior presença, vai traçar mole mole à mina.
- Porra nenhuma, posso até não ser bonitão como ele, mas moleque, tu já ouviu a voz dele?
- Nesse ponto você tem razão, a voz dele é muito escrota, a Luíza quando ouviu caiu fora.
- Que Luíza é essa?
- Aquela nanica gente boa que adora um goró.
- Ah! Lembrei, ainda vou dar uns quebras nela, pensou Rafael.
- Rafael fica aqui, já te falei, vai acabar arranjando pra cara.
- Xá comigo cumpadi.
Rafael seguiu em direção ao único banheiro daquela boate, todo confiante e se achando o máximo, como todo vacilão. Tinha certeza que Licurgo era carta fora do baralho com aquela voz de bode com dor nos ovos. Aproximou-se da porta com um sorriso sacana no rosto, na mente e na ponta da língua suas melhores cantadas. Girou a maçaneta da porta, sentiu o click do destravamento, pensou em inúmeras sacanagens que faria com aquele gostosa, Rocco (ator pornô italiano tarado ao extremo) não ia chegar nem perto da performance.
Abriu a porta. De súbito sentiu uma puta dor, aguda e lancinante, realmente insuportável, seu olhos encheram d’água, sentiu as gases de seu curativo se empapar, gosto de sangue. Colocou as duas mãos no ferimento e saiu dali.
- Rafael o que foi que aconteceu, tu estás só a garapa, levaste porrada?
Com uma voz abafada e chorosa respondeu.
- Não. Fecharam a porta na minha cara. Puta que pariu, acho que fodeu de novo o meu nariz!
Fausto, tentando disfarçar a vontade louca de gargalhar e não conseguindo perguntou:
- Ô cabaço... de volta ao estagiário ou dessa vez vais cagar dinheiro?
Rafael olhou fulo da vida com o nariz em bicas de sangue.
– Vai te foder Fausto. Ai, ui.
Horas depois já em casa. Fausto ainda ria sozinho das vaciladas do amigo. Olhou o relógio, 3:00AM e decidiu ligar, aquele gordo tosco com certeza estava acordado.
- Alô, Nielsen, acorda tosto, tenho uma pra te contar.
- Que foi cruzeta?
- Advinha quem deu o maior vacilo hoje?
- O que que tem o Rafael?

Ouvia ao escrever Vinte Nove by Legião Urbana.

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Obs: Escrevi este post inspirado no texto de dois outros amigos blogueiros Luíza e Fausto. Seus textos A Foda Sem Zíper* De Maria Helena by Luíza e Voz by Fausto, dão o enredo e o pano de fundo do meu post. Luíza iniciou na verdade, tudo isto, quando fez seu texto. Fausto numa idéia genial, entrou na brincadeira e fez um golaço. Percebi que Lu e Fausto sem querer querendo me deram a possibilidade de contar a história do cara que levou a porta na cara. Ia ser de início uma personagem qualquer, mas depois resolvi homenagear essa galerinha bacana que de vez em quando toma um goró comigo. Rafael (namorado da Luíza), Fausto, Lu e tirar uma casquinha para mim também, por que não?



Obs2: Rafael é vacilão e curioso como todo mundo é, enfim, normal, mas tive que exarcerbar isso para adquar-se melhor no contexto mas, munheca de samanbaia e pão duro, isso ele é mesmo. huahuahuaha. Já o Fausto, é exatamente assim, um bom fdp mesmo eheheh.





14/06/2007

Coisa de menina!

Ele saiu da locadora com o filme O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Também, sentia necessidade de ajeitar a vida dos outros e como a protagonista, não tinha o menor talento para dar um jeito na sua própria vida. Mas o fato de ajudar sem ser percebido a vida de terceiros, no fundo amenizava a dor de se sentir tão sozinho e desambientado. Era ele o que os “cool” chamavam de “Cary” e até gostava disso, pois a pobre menina de Stephen King era o seu tipo de garota. Tinha a mania de procurar o menor traço de ternura em todas as mulheres, acreditava mais do que ninguém ser toda mulher meiga em sua essência e que ele era capaz de colher essa ternura; quando conseguia vencer nos raros momentos sua timidez, levava foras brutais quando não, era violentamente humilhado e ofendido.
Seus livros de auto-ajuda haviam perdido a graça e se tornavam repetitivos, deixou de comprá-los como também o antidepressivo, caro demais. Resolveu manter o Rivotril, pois era o único jeito de conseguir desligar sua mente fértil e dormir, mesmo sendo um sono robotizado, acordava com uma sensação falsa de descanso, mas era melhor do que rolar na cama a madrugada inteira. Tinha o problema da falta de tesão provocada pelo remédio, porém tornou-se um alívio, não ficar mais com o pênis sempre dolorido pela masturbação excessiva.
Como todos os dias; acordou, escovou os dentes, deu comida para o dog – seu gato de estimação e único habitante além dele no apertado ap, tomou seu leite com cereal, lavou a pouca louça da noite anterior – tinha controlado mais sua mania de limpeza; desceu os seis andares de escada - aversão a elevadores, trabalhou o dia inteiro na máquina de xeroz da lan hause com Fausto, saiu às 19h00min. Em casa tomou seu achocolatado, ligou o som, selecionou Special Needs. Placebo era tudo e perfeito para o momento.
...Tirou sua latinha que guardou um dia biscoitos finos e trouxe à mesa, abriu a caixa com delicadeza e retirou seu conteúdo, rasgou o saquinho, humm essa preta chinesa é the best, colocou uma porção maior do que a de costume na colher; pegou o zippo ascendeu, esquentou até diluir, agulha estava rombuda, mas era o jeito, garrote no braço, veia pulsando e o pico... Solta o garrote, sangue correndo a mil nas veias levando a solução de seus problemas, não consegue retirar agulha com a seringa, já não importa mais, fecha os olhos, torpor, prazer descomunal e a certeza de que dessa vez não voltaria. Paz finalmente.
Marcou a página com a flor seca de sempre, fechou o livro, desligou o som, e se perguntou por que raios ela se drogava, ela tinha tudo e por que guardar aquilo numa caixa de biscoitos? Éh! Só pode ser mesmo coisa de menina. Ligou a TV e DVD e assistiu pela enésima vez a seu filme preferido.

Ouvia ao escrever Clarisse (Legião Urbana)

10/06/2007

Até que a morte não os separe



Foi como sempre sonhei, ela toda de branco, linda, radiante e completamente apaixonada. Seu velho pai a conduzia num misto de alegria e ciúme velado – realmente gostava daquele velho, nos demos bem desde o primeiro papo.
Muitos convidados e amigos, na verdade todos dela, pois como manda a tradição, local do casamento é na cidade da noiva e eu era o forasteiro por assim dizer.
Nem o fato da morte de sua mãe tempos atrás conseguiu macular tamanha felicidade entre a gente. A igreja ricamente decorada, flores em todo canto, hinos tradicionais de casamento ecoavam; o padre não gostava de inovações, queria tanto ouvir nossa música – maldito tradicionalista! Estava muito nervoso. Enfim, o sacerdote começou a cerimônia e falava sobre a união entre pessoas que se amam, dizia que o termo mais apropriado seria consorte ao invéz de marido e mulher. Consortes, dizia o bom padre, significa: aqueles que partilham um mesmo destino, a mesma sina, têm a mesma sorte – nada mais apropriado pensei; e discursou longamente sobre o amor. Relembrei todos os nossos momentos felizes, o jeito lindo que ela acordava ao meu lado – ficava horas olhando ela dormir; tinha o cuidado de levantar primeiro escovar os dentes, pentear os cabelos e voltar pra cama, quando ela acordava nos beijávamos e fazíamos amor. Ela no fundo sabia, mas sempre perguntava como era possível eu acordar com hálito sempre fresco e riamos de tudo... Nossa como riamos!
Quando começou a troca das alianças e comecei a ouvir as juras de amor eterno e fidelidade... na saúde ou na doença, na tristeza ou na alegria... Não consegui mais suportar e com a força de minhas lágrimas, retirei do interior do terno a arma e disparei repetidamente em direção ao altar, não a esmo, mas meticulosa e certeiramente. Ouviram-se gritos, gerou grande tumulto, o sangue rubro lavava o lindo vestido branco, ela tombou pesadamente sobre o corpo dele. Eu ali parado com a arma em punho, olhando-a inexpressivamente em seu desespero copioso que inundava de lágrimas e dor o cadáver de seu “ex-futuro-marido”. Olhou para mim e entre gritos lancinantes perguntou-me: - Por quê? Por que meu Deus do céu?
- Não sei meu amor, sinceramente eu não sei; da mesma forma como você não sabia o porquê de estar me deixando e eu não sei o porquê disso tudo, mas acredite-me, sei exatamente o que você está sentido e o quanto está doendo.
- Amor, escuta... Somos agora consortes, verdadeiros consortes mais do qualquer casal nesse mundo, de hoje em diante partilhamos a mesma sina e a mesma dor, somos consortes na desgraça de haver perdido o amor pelo qual vivemos e por qual morremos. Eu fui o teu primeiro ex-futuro-marido!
- Louco! Gritou, na verdade queria que ela entendesse que era preciso ela sofrer tudo aquilo que passei nos últimos quatro anos para podermos ser um só novamente, mesmo que fosse na dor, mas para sempre um só.
As algemas eram frias e apertaram pra valer o meu pulso, entre aquele dia e o fim de minha pena, apesar dos longos anos para mim foi como num piscar de olhos. Ela veio me visitar a dez anos atrás, disse orgulhosamente que ainda vivia e seguia em frente apesar de tudo, por que viver é coisa mais maravilhosa do mundo. Estou morto desde o dia em que perguntei a você: - Por quê?
Saber que você está assim me deixa mais viva ainda e saiu impávida de minha frente.
Hoje recuperei minha liberdade. Passei no banco, aparei o cabelo e fiz a barba, comprei roupas novas e alinhadas, me hospedei num hotel de primeira para tomar um longo e merecido banho de espuma, pensei nela e me masturbei, depois do banho vesti o que comprei, olhei-me no espelho e lembrei dos velhos tempos antes da prisão, estava bem, a idade me deu um charme diferente despretensioso; nunca fui bonito, mas sempre fui charmoso, me servi uma dupla dose do mais caro scott que havia no bar, e segui para a boca de fumo, o trafica insistiu que eu levasse mais, porém duas eram suficientes paguei muito mais do que valia o negócio para ele me deixar em paz, uma rápida parada na florista.
Dim dom... Alardeou a campainha, abriu a porta e fitou-me surpresa a ponto de não conseguir esboçar nenhuma reação ou palavra. Trazia comigo um buquê de lírios brancos.
- Oi amor, falei calmamente... Aqueles que compartilham a mesma sina o mesmo destino são consortes disse o bom padre, lembra?
- Consortes meu amor para sempre consortes!
Entrei, ela recuou instintivamente, tirei do bolso da jaqueta o revolver municiado com as únicas duas balas e fechei a porta.

Ouvia ao escrever Detalhes (Roberto Carlos)

07/06/2007

Mania Idiota


Ela me disse para não deitar na cama do tio. O quarto estava arrumado e com uma temperatura agradável; era outono de 2002. Havia chegado ao apartamento, depois de passar a tarde batendo perna no shopping Paulista. Acabara de comprar o primeiro acústico do Emerson Nogueira, o qual, ela lia o encarte com algum interesse.
Fez uma expressão no rosto que não consegui decifrar, tirou o cd da capa e colocou no computador. Já havia ouvido a música 4 em algum lugar, achava bonita mas até aí, nada que me marcasse ou recordasse como acontece com a maioria das músicas que ouço – minha memória é totalmente musical, tenho a mania idiota de eleger músicas tema para cada coisa que sinto ou experiências que vivo.
A música para ela já havia marcado algo, que não me disse, talvez até a não tenha marcado, talvez fosse à letra ou algo assim, de qualquer forma, não tinha jeito de definir pra onde aquela música a havia transportado. Perguntou-me o que havia feito; depois de uma rápida narrativa de minha tarde, olhou-me com carinho, fitou profundamente meus olhos, parecendo querer se enxergar ou se perder no verde claro deles. Avançou mansamente o rosto e beijou-me suave e pousadamente os lábios, me invadindo de forma delicada, tépida com a língua úmida e quente me sorvendo aos poucos.
Segurei-lhe o rosto entre as minhas mãos, para melhor sentir todo aquele carinho, até que se descolou de minha boca, me abraçou apertado e sentidamente, como se tudo que fosse bom entre nosso amor, pudesse se perder, percebi certa aflição nela, mas aquele abraço cada vez mais necessitado e apertado afastou essa impressão. Foi um dos momentos em que realmente tive certeza do meu imenso amor e desejo por aquela mulher, momentos em que você não pode se imaginar mais feliz na vida, momentos e minutos que ficam marcados a ferro e fogo no coração para toda uma existência.
Ela me largou, sorriu e segurou minha mão e saímos do quarto.
Jamais percebi que aquilo fora o início do fim; que seria um de nossos últimos momentos e muito menos imaginaria Whish You Were Here que ouvimos naquele quarto por duas vezes, seria a música tema de minha lembrança mais dolorida.

Ouvia ao escrever Whish You Were Here (Pink Floid)

03/06/2007

O Barão Vermelho

Derrepente o impacto!
Como uma ferruada, não... menos que isso, uma picada. Não dei importância; a missão era mais importante, tenho que seguir adiante, abatelo.
Ele é bom, move-se num misto de maestria e desespero mas eu Manfred von Richthofen sou o melhor, o ás.
Aqui não é o domínio dos pássaros, é a minha arena, é o meu feudo, sou muito mais do que um descedente da alta linhagem de cavaleiros prussiámos, sou ariano, germânico ilustre e nesses céus sou um deus de asas mecânicas que cospe chumbo quente.
Minha visão nublou-se, ouço tiros explossões ao longe... não! Bem perto, abaixo e atrás de mim, é o inferno!
Um cheiro nostálgico invade minhas nárinas tem gosto de infância, shucrute assando, mamãe por perto!
Sinto o carinho do ar em meu rosto; a minha frente apenas um céu imenso e azul, sinto um frio que me toma mas é confortável, acolhedor, um frenesi.
- O que está acontecendo, me sinto ensopado, encharcado mesmo, gosto ocre na boca, sêca...boca sêca, sede!
- Meu Deus é sangue!
Precioso líquido que se mescla com o vermelho imponente de meu Albatroz D.II terror rubro das esquadrilhas inimigas e desses ceús de 1918.
Será que 80 aeronaves abatidas eram mesmo minhas inimigas, para que tudo isso?! Por que guerra? Por que luto, em nome de que e de quem valeu matar tantos?
- Jesus o que fiz!?
-Perdão!
Por um orifício único e mísero no peito, se esvasia toda dúvida, se calam as perguntas, esvai-se a dor, angústia, meu medo; esgota-se a minha existiência. Preciso fechar os olhos, uma vontade irressistível de fechar meus olhos pesados, cansados.
Ainda sinto o vento no rosto, não ouço mais tiros ou explosões não ouço quase nada... começo a cantarolar baixinho algo estranho atemporal que me inunda a mente e os debilitados sentidos
- Amor da minha vida daqui até a eternidade, nan, nan pro dia nascer feliz, laiá, lá... acordar e a gente dormir... dormir".
by Nielsen Amaral ouvia Senhor da Guerra (Legião Urbana)



02/06/2007

Avassaladora

Ela veio em minha direção, olhando-me decidida e intimidante.
Após sinalizar para o garçon, agarrou-me abrupatamente.
Não tive reação alguma; só fazia suar, frio ... gelado.
Sugou-me a boca com sofreguidão, com volúpia, desejosamente, sem culpa, pura tara.
Eu delirei, perdi a noção, me sentia tomado e espumava por dentro.
Tomou tudo de mim como uma vampíra sugou-me a essência.
Da mesma forma que agarrou me largou, sem culpa, pudor ou respeito.
Limpou a boca com a costa da mão, sorriu maliciosamente e saiu satisfeita.
Deixando-me aqui, nesse balcão de bar.
Largado, sozinho e vazio
E hoje não passo de um copo de cerveja sujo de baton, esperando que ela volte!

by Nielsen Amaral ouvindo Who are you (Pearl Jam)