
Foi como sempre sonhei, ela toda de branco, linda, radiante e completamente apaixonada. Seu velho pai a conduzia num misto de alegria e ciúme velado – realmente gostava daquele velho, nos demos bem desde o primeiro papo.
Muitos convidados e amigos, na verdade todos dela, pois como manda a tradição, local do casamento é na cidade da noiva e eu era o forasteiro por assim dizer.
Nem o fato da morte de sua mãe tempos atrás conseguiu macular tamanha felicidade entre a gente. A igreja ricamente decorada, flores em todo canto, hinos tradicionais de casamento ecoavam; o padre não gostava de inovações, queria tanto ouvir nossa música – maldito tradicionalista! Estava muito nervoso. Enfim, o sacerdote começou a cerimônia e falava sobre a união entre pessoas que se amam, dizia que o termo mais apropriado seria consorte ao invéz de marido e mulher. Consortes, dizia o bom padre, significa: aqueles que partilham um mesmo destino, a mesma sina, têm a mesma sorte – nada mais apropriado pensei; e discursou longamente sobre o amor. Relembrei todos os nossos momentos felizes, o jeito lindo que ela acordava ao meu lado – ficava horas olhando ela dormir; tinha o cuidado de levantar primeiro escovar os dentes, pentear os cabelos e voltar pra cama, quando ela acordava nos beijávamos e fazíamos amor. Ela no fundo sabia, mas sempre perguntava como era possível eu acordar com hálito sempre fresco e riamos de tudo... Nossa como riamos!
Quando começou a troca das alianças e comecei a ouvir as juras de amor eterno e fidelidade... na saúde ou na doença, na tristeza ou na alegria... Não consegui mais suportar e com a força de minhas lágrimas, retirei do interior do terno a arma e disparei repetidamente em direção ao altar, não a esmo, mas meticulosa e certeiramente. Ouviram-se gritos, gerou grande tumulto, o sangue rubro lavava o lindo vestido branco, ela tombou pesadamente sobre o corpo dele. Eu ali parado com a arma em punho, olhando-a inexpressivamente em seu desespero copioso que inundava de lágrimas e dor o cadáver de seu “ex-futuro-marido”. Olhou para mim e entre gritos lancinantes perguntou-me: - Por quê? Por que meu Deus do céu?
- Não sei meu amor, sinceramente eu não sei; da mesma forma como você não sabia o porquê de estar me deixando e eu não sei o porquê disso tudo, mas acredite-me, sei exatamente o que você está sentido e o quanto está doendo.
- Amor, escuta... Somos agora consortes, verdadeiros consortes mais do qualquer casal nesse mundo, de hoje em diante partilhamos a mesma sina e a mesma dor, somos consortes na desgraça de haver perdido o amor pelo qual vivemos e por qual morremos. Eu fui o teu primeiro ex-futuro-marido!
- Louco! Gritou, na verdade queria que ela entendesse que era preciso ela sofrer tudo aquilo que passei nos últimos quatro anos para podermos ser um só novamente, mesmo que fosse na dor, mas para sempre um só.
As algemas eram frias e apertaram pra valer o meu pulso, entre aquele dia e o fim de minha pena, apesar dos longos anos para mim foi como num piscar de olhos. Ela veio me visitar a dez anos atrás, disse orgulhosamente que ainda vivia e seguia em frente apesar de tudo, por que viver é coisa mais maravilhosa do mundo. Estou morto desde o dia em que perguntei a você: - Por quê?
Saber que você está assim me deixa mais viva ainda e saiu impávida de minha frente.
Hoje recuperei minha liberdade. Passei no banco, aparei o cabelo e fiz a barba, comprei roupas novas e alinhadas, me hospedei num hotel de primeira para tomar um longo e merecido banho de espuma, pensei nela e me masturbei, depois do banho vesti o que comprei, olhei-me no espelho e lembrei dos velhos tempos antes da prisão, estava bem, a idade me deu um charme diferente despretensioso; nunca fui bonito, mas sempre fui charmoso, me servi uma dupla dose do mais caro scott que havia no bar, e segui para a boca de fumo, o trafica insistiu que eu levasse mais, porém duas eram suficientes paguei muito mais do que valia o negócio para ele me deixar em paz, uma rápida parada na florista.
Dim dom... Alardeou a campainha, abriu a porta e fitou-me surpresa a ponto de não conseguir esboçar nenhuma reação ou palavra. Trazia comigo um buquê de lírios brancos.
- Oi amor, falei calmamente... Aqueles que compartilham a mesma sina o mesmo destino são consortes disse o bom padre, lembra?
- Consortes meu amor para sempre consortes!
Entrei, ela recuou instintivamente, tirei do bolso da jaqueta o revolver municiado com as únicas duas balas e fechei a porta.
Muitos convidados e amigos, na verdade todos dela, pois como manda a tradição, local do casamento é na cidade da noiva e eu era o forasteiro por assim dizer.
Nem o fato da morte de sua mãe tempos atrás conseguiu macular tamanha felicidade entre a gente. A igreja ricamente decorada, flores em todo canto, hinos tradicionais de casamento ecoavam; o padre não gostava de inovações, queria tanto ouvir nossa música – maldito tradicionalista! Estava muito nervoso. Enfim, o sacerdote começou a cerimônia e falava sobre a união entre pessoas que se amam, dizia que o termo mais apropriado seria consorte ao invéz de marido e mulher. Consortes, dizia o bom padre, significa: aqueles que partilham um mesmo destino, a mesma sina, têm a mesma sorte – nada mais apropriado pensei; e discursou longamente sobre o amor. Relembrei todos os nossos momentos felizes, o jeito lindo que ela acordava ao meu lado – ficava horas olhando ela dormir; tinha o cuidado de levantar primeiro escovar os dentes, pentear os cabelos e voltar pra cama, quando ela acordava nos beijávamos e fazíamos amor. Ela no fundo sabia, mas sempre perguntava como era possível eu acordar com hálito sempre fresco e riamos de tudo... Nossa como riamos!
Quando começou a troca das alianças e comecei a ouvir as juras de amor eterno e fidelidade... na saúde ou na doença, na tristeza ou na alegria... Não consegui mais suportar e com a força de minhas lágrimas, retirei do interior do terno a arma e disparei repetidamente em direção ao altar, não a esmo, mas meticulosa e certeiramente. Ouviram-se gritos, gerou grande tumulto, o sangue rubro lavava o lindo vestido branco, ela tombou pesadamente sobre o corpo dele. Eu ali parado com a arma em punho, olhando-a inexpressivamente em seu desespero copioso que inundava de lágrimas e dor o cadáver de seu “ex-futuro-marido”. Olhou para mim e entre gritos lancinantes perguntou-me: - Por quê? Por que meu Deus do céu?
- Não sei meu amor, sinceramente eu não sei; da mesma forma como você não sabia o porquê de estar me deixando e eu não sei o porquê disso tudo, mas acredite-me, sei exatamente o que você está sentido e o quanto está doendo.
- Amor, escuta... Somos agora consortes, verdadeiros consortes mais do qualquer casal nesse mundo, de hoje em diante partilhamos a mesma sina e a mesma dor, somos consortes na desgraça de haver perdido o amor pelo qual vivemos e por qual morremos. Eu fui o teu primeiro ex-futuro-marido!
- Louco! Gritou, na verdade queria que ela entendesse que era preciso ela sofrer tudo aquilo que passei nos últimos quatro anos para podermos ser um só novamente, mesmo que fosse na dor, mas para sempre um só.
As algemas eram frias e apertaram pra valer o meu pulso, entre aquele dia e o fim de minha pena, apesar dos longos anos para mim foi como num piscar de olhos. Ela veio me visitar a dez anos atrás, disse orgulhosamente que ainda vivia e seguia em frente apesar de tudo, por que viver é coisa mais maravilhosa do mundo. Estou morto desde o dia em que perguntei a você: - Por quê?
Saber que você está assim me deixa mais viva ainda e saiu impávida de minha frente.
Hoje recuperei minha liberdade. Passei no banco, aparei o cabelo e fiz a barba, comprei roupas novas e alinhadas, me hospedei num hotel de primeira para tomar um longo e merecido banho de espuma, pensei nela e me masturbei, depois do banho vesti o que comprei, olhei-me no espelho e lembrei dos velhos tempos antes da prisão, estava bem, a idade me deu um charme diferente despretensioso; nunca fui bonito, mas sempre fui charmoso, me servi uma dupla dose do mais caro scott que havia no bar, e segui para a boca de fumo, o trafica insistiu que eu levasse mais, porém duas eram suficientes paguei muito mais do que valia o negócio para ele me deixar em paz, uma rápida parada na florista.
Dim dom... Alardeou a campainha, abriu a porta e fitou-me surpresa a ponto de não conseguir esboçar nenhuma reação ou palavra. Trazia comigo um buquê de lírios brancos.
- Oi amor, falei calmamente... Aqueles que compartilham a mesma sina o mesmo destino são consortes disse o bom padre, lembra?
- Consortes meu amor para sempre consortes!
Entrei, ela recuou instintivamente, tirei do bolso da jaqueta o revolver municiado com as únicas duas balas e fechei a porta.
Ouvia ao escrever Detalhes (Roberto Carlos)
2 insurgiram-se:
egua nil
tu sempre me arrepia com as tuas estorias!
adorei brother, mto show, show mesmo!
grande abraço
Gostei.
Calmo como uma bomba, diria Zack de la Rocha.
Issae!
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