07/06/2007

Mania Idiota


Ela me disse para não deitar na cama do tio. O quarto estava arrumado e com uma temperatura agradável; era outono de 2002. Havia chegado ao apartamento, depois de passar a tarde batendo perna no shopping Paulista. Acabara de comprar o primeiro acústico do Emerson Nogueira, o qual, ela lia o encarte com algum interesse.
Fez uma expressão no rosto que não consegui decifrar, tirou o cd da capa e colocou no computador. Já havia ouvido a música 4 em algum lugar, achava bonita mas até aí, nada que me marcasse ou recordasse como acontece com a maioria das músicas que ouço – minha memória é totalmente musical, tenho a mania idiota de eleger músicas tema para cada coisa que sinto ou experiências que vivo.
A música para ela já havia marcado algo, que não me disse, talvez até a não tenha marcado, talvez fosse à letra ou algo assim, de qualquer forma, não tinha jeito de definir pra onde aquela música a havia transportado. Perguntou-me o que havia feito; depois de uma rápida narrativa de minha tarde, olhou-me com carinho, fitou profundamente meus olhos, parecendo querer se enxergar ou se perder no verde claro deles. Avançou mansamente o rosto e beijou-me suave e pousadamente os lábios, me invadindo de forma delicada, tépida com a língua úmida e quente me sorvendo aos poucos.
Segurei-lhe o rosto entre as minhas mãos, para melhor sentir todo aquele carinho, até que se descolou de minha boca, me abraçou apertado e sentidamente, como se tudo que fosse bom entre nosso amor, pudesse se perder, percebi certa aflição nela, mas aquele abraço cada vez mais necessitado e apertado afastou essa impressão. Foi um dos momentos em que realmente tive certeza do meu imenso amor e desejo por aquela mulher, momentos em que você não pode se imaginar mais feliz na vida, momentos e minutos que ficam marcados a ferro e fogo no coração para toda uma existência.
Ela me largou, sorriu e segurou minha mão e saímos do quarto.
Jamais percebi que aquilo fora o início do fim; que seria um de nossos últimos momentos e muito menos imaginaria Whish You Were Here que ouvimos naquele quarto por duas vezes, seria a música tema de minha lembrança mais dolorida.

Ouvia ao escrever Whish You Were Here (Pink Floid)

3 comentários:

arghlemonster disse...

Esse sentimento de ESGOTAMENTO PRECOCE o, não existe palavras pra isso em português. "Preocupação" é muito banal, sempre sinto isso no fim das férias, mesmo tentando me esquivar.

Emerson Nogueira = Danny Carlos de saia

Há braços, welcome back to 'da blogosphere.

E é.

arghlemonster disse...

...ha, o desenho nahead do blog remete ao CUNETE ESCATOLÓGICO.

Há quem tenha ereções.... ou encharque-se.

Anônimo disse...

Olá Nil LAMP!
meu e-mail é arboreto@hotmail.com
mim repassa teu e-mail!
bj na bunda!