Era uma puta dor dente, como sempre havia prolongado o máximo minha ida ao dentista- argh! Tremo só de pronunciar, mas acabei marcando a consulta e para lá me dirigindo. A dor mega desconfortável teimava e ardia em meu dente, e ainda havia na linda sala de esperta dois paciente na minha frente - achei o arquiteto ou decorador genial fez um trabalho bacana com as cores da sala; trazia paz e calma aos desesperados como eu. Finalmente fui chamado, Dra. Ana era seu nome, pequenina, toda delicada parecia uma menininha, envolta em máscara, bata e touca, tinha os olhos simpáticos que pareciam sorrir para mim o tempo todo. - Deite-se, qual o dente, inferior ou superior? - Superior. - Abra bem a boca! Huumm... caiu toda a obturação, melhor radiografar! - É, teremos que fazer canal. - Putz ! Pensei... Depois da extração de um ciso é a pior coisa pra se fazer no dentista, canal! - canal é o canal. Anestesia e mais anestesia e o barulho neurante e apavorante da broca ziiimm! Mas extraordináriamente não senti quase nenhuma dor, apenas um puta desconforto, pois ela, consversava na maior tranquilidade comigo, e, eu sem poder responder e ela muito menos se importando com isso. Marcou para outros dois dias o término do canal e ao nos despedimos; segurou um tempo a mais na minha mão. Achei aquilo estranho mas gostoso, excitante, não tinha como ser interpretado de outro jeito. Ela me deu uma deixa, um mole como dizem. No outro dia, cheguei mais animado sem dor, bem mais arrumado, conversamos um pouco ( 28 anos, recentemente separada do marido, tinha uma filha de cinco anos e pela primeira vez não vi o menor problema nisso) antes de iniciar a tortura no dente.
Outra vez, não senti quase nehuma dor e novamente ela desatou a conversar comigo sem esperar pelo meu "feed back" , foi angustiante, ao final, novamente demorou um tempo a mais para lagar minha mão, então, tirou a máscara, a touca- arrumando os cabelos e tirando a bata; finalmente pude mira-lá por inteiro, tinha um beleza candida e exalava um sorrizo frágil mas o tom de voz era de alguém forte e decidida, princilpalmente ao me responder: - Na sexta eu te respondo se aceito ou não o seu convite pra jantar. Quase não consegui dormir, acordei super cedo (até porque entrou um ladrão em casa e levou o dvd e minha velha mãe ainda abriu a porta da frente pra ele sair numa boa, só faltou convidar pro café matinal), oito haras em ponto estava na floricultura, achei que um buquê de rosas seria clichê demais, então comprei uma caixa feita a mão, mandei fazer um arranjo com uma única rosa vermelha e fechei a caixa com um laço de fita rosa com um cartão dentro que dizia: " Enquanto você decide, se vai jantar comigo sexta a noite, por que não almoçamos juntos hoje? E escrevi meu número de celular no cantinho do bilhete. Paguei pra um boy levar. Algumas horas depois o celular toca, eufórico vi que era ela, sua voz inconfundível dizia: - Liguei para agradecer pela flor, muito delicado de sua parte e fazia tempo que não recebia algo assim - Bingo, pensei... Ganhei um almoço e jantar. Finalmente uma namorada!
- Mas tenho que te dizer que não vou poder aceitar seus convites para sair, pois ontem a noite reatei com meu marido e amanhã começa meu curso e quero remarcar com você pra te atender no sábado ás 10:00hs ok?! - OK ... Tudo bem, tá marcado... E... Ah!... Fico feliz por você... Até mais , respondi sem graça e derrotado.
Enfim, pra completar, o curativo no dente caiu durante o almoço e o dente ta doendo pra caramba, mas tem algo que tá doento muito mais que o dente, só não sei se é o coração - qua há tempos anda sozinho ou se o orgulho, mas que essa doeu, ah doeu!
Ouvia ao escrever o barulho do ar condicionado da lan hause.

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